16 de out de 2015

Produtores de Congonhinhas e outros 11 municípios compõe projeto de Cafés Especiais, Norte Pioneiro é responsável por 90% da produção cafeeira do Paraná

Jacarezinho – O café cereja descascado será o tema principal das palestras técnicas da "8ª Feira Internacional de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná – Ficafé 2015", que começou dia 14 de outubro e termina hoje (15), no Centro de Eventos de Jacarezinho. O evento é uma realização do Sebrae/PR, da Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Acenpp) e da Cooperativa de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Cocenpp), com apoio de várias entidades e centros de pesquisa da região. Considerada responsável por 90% da produção cafeeira do Paraná, a região do Norte Pioneiro nos últimos nove anos conta com um trabalho intenso do Sebrae/PR no incentivo à produção de cafés especias como forma de estimular a manutenção da cultura, agregar mais valor ao produto e promover o desenvolvimento regional. 
Atualmente, o Projeto de Cafés Especiais conta com a participação de 300 produtores, distribuídos em 12 núcleos de produção nas seguintes cidades: Abatiá, Carlópolis, Congonhinhas, Cornélio Procópio, Ibaiti, Jaboti, Japira, Joaquim Távora, Pinhalão, Ribeirão Claro, São Jerônimo da Serra e Tomazina. Segundo o gerente Paulo Franzini, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), a estimativa da produção de café no Paraná este ano é de 1,160 a 1,260 milhão de sacas beneficiadas, em área total de produção avaliada em 53 mil hectares (divididos entre 8 a 10 mil propriedades cafeeiras). Franzini, que também é coordenador estadual da Câmara Setorial do Café do Paraná, avalia que a produção de cafés especiais no Estado esteja entre 5% e 10% da produção total. "Está havendo um fortalecimento desse setor, principalmente no Norte Pioneiro, e isso é bastante positivo", afirma. 
"Retirar a casca do café cereja é um procedimento básico para se evitar a fermentação do café, que causa a perda de qualidade do grão, principalmente porque na nossa região é comum a ocorrência de chuvas na época da colheita, diferentemente da região serrana de Minas Gerais. Temos trabalhado muito esse conceito com os nossos produtores, o que envolve também mudança de cultura de manejo e investimentos em maquinário, sendo fundamental a prática do associativismo para tornar viável a produção de cafés especiais", destaca o consultor e idealizador do projeto, Odemir Capello, do Sebrae. 
Otimista em relação às perspectivas de crescimento do projeto, Capello cita que para a safra deste ano a estimativa é exportar de 15 a 20 contêineres de cafés especiais do Norte do Paraná (cada contêiner corresponde a 320 sacas de 60 quilos de café). "No ano passado, exportamos dois contêineres e, esperamos até 2020, estar em condição de exportar 120 contêineres", almeja o consultor, que estima que hoje a área de plantio dos pequenos e médios produtores vinculados ao projeto corresponda a 3 mil hectares, com produção aproximada de 100 mil sacas. 
Pensando no mercado externo - e também no potencial de crescimento do mercado nacional para cafés mais nobres nos próximos dez anos -, Capello comenta sobre a importância da primeira Indicação Geográfica do Paraná em 2012. "É muito importante investir em rastreabilidade e segurança alimentar. É preciso reforçar essa ideia de que café também é um alimento e temos que continuar trabalhando a importância da certificação", salienta. 
Com uma média de público de 1.000 produtores/dia, a Ficafé é vista como um importante ponto de encontro regional e internacional. "O evento dita tendências, regras, e vamos aproveitar também para debater o conceito de energia renovável, como biomassa e biogás, a partir do aproveitamento de resíduos de cafés descascados", adianta. Para conferir a programação completa, acesse www.ficafe.com.br. 

CUP OF EXCELLENCE
Prova do sucesso do projeto é a recente seleção de oito amostras de cafés especiais do Norte Pioneiro para concorrer ao título Cup of Excellence – Pulped Naturals 2015, com lotes oriundos das seguintes cidades: Abatiá, Jacarezinho, Japira, Ribeirão Claro, São Jerônimo da Serra e Tomazina (3 amostras). A seleção é feita pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE), com patrocínio do Sebrae. 
A fase nacional da classificação foi realizada de 5 a 9 de outubro, na sede da BSCA, em Varginha (MG). Os cafés que foram aprovados nessa etapa estão automaticamente classificados para a fase internacional do concurso, que ocorre nesta semana, no Palace Hotel, em Poços de Caldas MG), com a cerimônia de premiação dos vencedores programada para a próxima sexta-feira.

Ana Paula Nascimento
Reportagem Local - Folha de Londrina 

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