16 de ago de 2013

Cafeicultores buscam ajuda para minimizar perdas


Fotos: Gustavo Carneiro
Os pequenos produtores de café do Norte Pioneiro aguardam, com expectativa, algum tipo de ajuda oficial para aliviar um pouco os prejuízos causados pela geada que castigou as lavouras no dia 24 do mês passado. As baixas temperaturas causaram um efeito desolador nas plantações, fazendo relembrar a geada negra, fenômeno de maior intensidade que se verificou no Paraná em 1975. 

No município de Ibaiti, que é o segundo maior produtor de café do Paraná e um dos mais afetados pela geada na região, é possível observar pequenas propriedades onde a perda foi total. Alguns produtores caminham pelo meio das lavouras, mexendo nos pés de café e parecem não acreditar no que aconteceu, enquanto outros recolhem com rastelos os grãos que já estavam no chão. 

A geada atingiu as lavouras no momento em que a colheita da safra deste ano estava quase na metade. O fenômeno não afetou o café que estava para ser colhido, mas comprometeu a safra de 2014 ou, em alguns casos, até mesmo as safras dos dois anos seguintes. Um primeiro levantamento do Instituto Emater aponta que em Ibaiti a geada afetou 90% das plantas mais novas e 70% das mais antigas. 

Em outras palavras, os produtores só vão sentir os efeitos da geada, no bolso, no ano que vem. O maior problema é que boa parte do café é cultivado como monocultura em pequenas propriedades do Norte Pioneiro, onde não há uma segunda alternativa de renda. 

O produtor Onésio da Silva Fuentes é um exemplo de quem só trabalha com um tipo de cultura em Ibaiti. Ele cultiva 7 mil pés de café em uma propriedade de apenas 4 alqueires e calcula que 80% da plantação foi afetada. Fuentes estima que deixará de colher 200 sacas do produto em 2014, com um prejuízo que passará de R$ 20 mil. Mesmo assim, ele diz que não vai abandonar a cultura porque não tem como desenvolver outra atividade naquele espaço. 

O produtor Arlindo Sábio Lorente tem uma propriedade de 15 alqueires onde cultiva 20 mil pés de café. Ele diz que 90% de sua lavoura foi atingida e que em algumas áreas terá que cortar o café rente ao solo, o que demora 3 anos para se formar de novo. Lorente iria colher 800 sacas de café no ano que vem e estima que terá um prejuízo de R$ 80 mil. "A gente precisa de ajuda porque no ano que vem a gente não vai colher nada", afirma. 

A Secretaria de Agricultura da Prefeitura de Ibaiti está atendendo individualmente os pequenos produtores e orientando-os sobre como devem proceder junto aos bancos onde têm financiamentos. Uma das principais recomendações é que eles não cortem ou erradiquem suas lavouras antes da visita de um técnico para que a situação da propriedade seja avaliada. 

O secretário da Agricultura do município, Luiz Celso Gonçalves, diz que a prefeitura vai repassar até 10 mil novas mudas de café por produtor a preços subsidiados para que os produtores mais prejudicados façam a reposição das lavouras. O governo municipal também vai custear em 50% a hora/máquina para os produtores que precisem arrancar os pés de café. "O produtor que depende só do café vai passar uma dificuldade enorme no ano que vem porque ele não vai ter renda", diz o secretário. 

A Prefeitura de Ibaiti quer aproveitar este momento para incentivar a diversificação das culturas para que o produtor rural não fique na dependência de apenas uma fonte de renda. Gonçalves diz que, além do café, os pequenos produtores também podem trabalhar com a produção de frutas e verduras para a merenda escolar e com a criação de peixes, já que existe um projeto para o desenvolvimento da piscicultura no Norte Pioneiro. Outra possibilidade, para quem tem uma área um pouco maior, é a criação de gado leiteiro. 

O prefeito de Ibaiti Roberto Regazzo (PSB) decretou estado de emergência no município na sexta-feira passada. Está é uma formalidade para que os produtores que tiveram as plantações de café atingidas pela geada sejam atendidos de forma mais ágil. Ele teme que haja um "caos social" com um novo êxodo no campo se não houver um socorro imediato aos produtores. Regazzo justifica que o café emprega muita gente no campo porque a colheita nas pequenas propriedades é manual. 
Folha Wev

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