17 de jun de 2014

Aécio Neves resgata e vai usar slogan de Tancredo Neves


Depois de três derrotas consecutivas, o PSDB vê com Aécio Neves uma chance de voltar à presidência da República. De um lado, porque tem o candidato tem subido nas pesquisas eleitorais;  e de outro, porque há um vento por mudanças no país, expresso nas pesquisas eleitorais junto com a queda de Dilma Rousseff e da aprovação do governo. Neste cenário, Aécio Neves resgatou um slogan que fora usado na campanha de seu avô Tancredo, há 30 anos: “Muda Brasil”.
- Em alguns lugares mais rapidamente em outros menos, mas o ambiente é de virada – resumiu o governador de Alagoas, Teotônio Vilela.
Se nas eleições anteriores a altíssima popularidade de Lula inibia o discurso oposicionista dos tucanos, desta vez, eles subiram o tom nas críticas ao governo. O tema preferido foi o desempenho da economia e a ética. Todos os oradores fizeram questão de criticar especialmente a forma do PT governar.  “O PT usa o patrimônio público em seu favor e o caso mais visível é a Petrobras”, disse José Serra que mirou diretamente na presidente Dilma Rousseff. “A presidente tem uma incompetência metódica, sistemática” e adaptou uma frase que ficou conhecida na política brasileira. “O PT é a vanguarda do atraso”. Esta frase foi dita por Fernando Lyra, então ministro escolhido por Tancredo Neves , em referência a José Sarney. Ele advertiu os correligionários para que se preparassem para “a fábrica de dossiês do PT” e no final ironizou: “O governo do  PT tem ideias boas e ideias novas. Mas as boas não são novas e as novas não são boas”.
A convenção do PSDB promoveu uma espécie de resgaste do governo Fernando Henrique. Ele foi o destaque do encontro e também fez o discurso da mudança e muitos elogios a Aécio. E uma espécie de “vacina” para a crítica de que Aécio é muito festeiro. “Para governar não precisa carranca. Aécio gosta da vida, como todo brasileiro e isso pode dar a impressão de que não custa nada, mas custa muito trabalho e ele trabalha muito”, disse o ex-presidente.
Aécio Neves repetiu o discurso dos últimos dias com críticas fortes à condução da economia do país e disse o fantasma da inflação volta a rondar a mesa dos brasileiros e promessa de “governar com decência” e muitas citações ao avô Tancredo para encerrar com o conhecido “vamos à vitória”.
Nas conversas nos bastidores, o assunto foi a vaga de vice. A convenção delegou à executiva do PSDB a tarefa de  indicar o vice e por lá se dizia que José Serra, que antes anunciara pelas redes sociais que não seria o vice de Aécio, já estaria de novo interessado no posto. Como Aécio é o presidente do partido, caberá a ele a escolha. A preferência é pelo nome de um outro partido que viria a se somar à aliança, como Henrique Meirelles que é o PSD de Gilberto Kassab. Se isso não for possível, Aécio deve disputar a presidência numa chapa puro sangue – com Aloysio Nunes Ferreira, um nome de São Paulo; Ellen Grace, ex-ministra do Supremo que iria cuidar do assunto Segurança Pública ou o ex-senador Tasso Jereissati, como forma de se aproximar no eleitorado do Nordeste, onde hoje ele tem desempenho abaixo da média do país.
CRISTIANA LÔBO, no G1.

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