14 de nov. de 2012

Região: Número de homicídios cai 36%, mas crimes bárbaros assustam população de Sto. Antônio da Platina


Após um ano relativamente tranquilo, dois assassinatos bárbaros que ocorreram nos últimos dias chocaram a população de Santo Antônio da Platina. Enquanto a polícia ainda investiga quem matou a professora Aline Messias, 26, na madrugada de sexta-feira, na Platina, duas pessoas foram presas por matar a facadas, na madrugada de sábado, Moacir Anselmo, 28, no Distrito do Monte Real (leia mais sobre os casos na página A6).
Os crimes acenderam a luz de alerta das autoridades. O objetivo é impedir que o número de homicídios se aproxime do registrado no ano passado, quando 13 pessoas foram mortas no município. Neste ano, as polícias Civil e Militar registraram sete assassinatos, quatro a menos se comparado ao mesmo período do ano passado, queda de 36%.
De acordo com o delegado Fátimo de Siqueira, nenhum dos dois crimes está ligado a uma onda de violência. “Foram mortes isoladas. As investigações levam a crer que o primeiro assassinato foi passional, enquanto o outro, já solucionado, foi por motivo banal, dívida de R$ 30, sem relação com drogas”, conta.
Siqueira explica que o cenário é diferente daquele enfrentado pela polícia em Londrina, por exemplo. “Lá acontece um guerra de gangues, de grupos rivais. Aqui, este ano, a violência relacionada com o tráfico de drogas, por acerto de contas, diminuiu. Crimes isolados são muito difíceis de prevenir, pois são inesperados, geralmente surgem de uma discussão de momento”, explica.
O comandante da 4ª Companhia do 2º Batalhão da Polícia Militar, capitão Márcio Jaquetti, destaca a queda do número de homicídios pede a colaboração da população para que denuncie situações suspeitas. “Como a polícia não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, a denúncia anônima é muito importante para nos auxiliar”, ressalta. A denúncia pelo 190 é segura e gratuita.

Andirá
Com população menor, 22 mil habitantes, Andirá lidera o ranking proporcional de homicídios no ano no Norte Pioneiro. Foram seis vítimas desde 1º de janeiro. A cidade, localizada às margens da BR-369, faz parte da rota do tráfico de drogas e é considerada ponto crítico pelas autoridades de Segurança Pública. A Organização das Nações Unidas preconiza epidemia mais de 10 homicídios por 100 mil habitantes. Proporcionalmente, o número de assassinatos em Andirá está quase três vezes acima deste patamar.

Norte Pioneiro
De acordo com dados do relatório da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), até setembro, foram 26 assassinatos no Norte Pioneiro, 18 na área da 12ª Subdivisão Policial (SDP) de Jacarezinho e seis em Andirá (11ª SDP de Cornélio Procópío). Jacarezinho aparece em terceiro lugar, com três mortes, Cambará (2), Ibaiti (2), e Pinhalão, Carlópolis, Ribeirão do Pinhal, Salto do Itararé, Siqueira Campos, Tomazina, Wenceslau Braz e Ribeirão Claro, com uma cada.
Campanha quer reduzir homicídios por motivo banal
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) lançou na semana passada a campanha “Conte até 10. Paz. Essa é a atitude”. A iniciativa tem o objetivo de estimular a reflexão sobre homicídios cometidos por impulso e por motivos fúteis, que passam de 50% na maioria dos Estados. Inédito, o levantamento foi elaborado pelo CNMP a partir de dados das Secretarias de Segurança Pública.
O recorte pretende identificar, dentre o total de assassinatos com classificação de motivos, a proporção dos decorrentes de ações por impulso. Em alguns estados, esse número é superior a 50%.
A campanha foi idealizada no âmbito da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp), resultado de parceria entre o CNMP, o Conselho Nacional de Justiça e o Ministério da Justiça.
Os comerciais da campanha são estrelados por atletas renomados - os campeões mundiais de MMA Anderson Silva e Junior Cigano e os judocas campeões olímpicos Leandro Guilheiro e Sarah Menezes –, que participam da iniciativa sem cobrar cachê.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ressaltou que a cultura da violência é difícil de ser combatida e que o cenário só pode ser alterado por meio da integração entre o governo e a sociedade. Uma das ações que contribuem para a redução de homicídios cometidos por impulso ou por motivos fúteis, segundo ele, é a Campanha do Desarmamento. “Ter uma arma ao lado, muitas vezes, faz com que as pessoas não contem até dez". (Redação Tá No Site, com informações do MP)

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